quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ao lixo as TVs culturais e educativas. Ou: Cultura virou palavrão


O lado ruim de se sobreviver tanto tempo do lado de cá onde me sinto tecnicamente vivo, é que, fora as novas tecnologias (e sobretudo a Internet) tudo parece repeteco. Reprise de filme ruim, a que fomos obrigados a assistir outras vezes.

Lembro, e aos 75 anos há muito que recordar, alguns episódios que marcaram minha vida. O golpe militar de 64 havia colocado suas botas, bordunas e carabinas dentro da Rádio Nacional, promovendo uma degola sem precedentes na história daquela emissora. Lembro de um querido amigo, o modinheiro Paulo Tapajós, que era um dos diretores da rádio. Ele, irônico, desmentia que o animador César de Alencar (um talento fabuloso na área de comunicação) fosse um dedo-duro. Segundo Paulo, César apontava com o beiço, para a junta militar instaurada, os chamados elementos subversivos. E eles eram imediatamente ceifados. César não era, portanto, um dedo-duro na acepção completa do termo, mas um beiço duro.  

Quando Fernando Collor surgiu no panorama político brasileiro como candidato à Presidência da República na década de 90, sua plataforma de governo era uma luta acirrada contra a corrupção e uma caça aos chamados “marajás”, uma casta que nunca deixou de proliferar, tal e qual as gigóias que volta e meia provocam a mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas (vivo no Rio de Janeiro), causando um mau cheiro indescritível. Ora meu Deus, que ninguém se esqueça: ao vencer as eleições, uma das primeiras medidas de Collor foi vingar-se da classe artista que o rejeitou nas urnas. Desmontou o Ministério da Cultura. Naquela época, 1990, vaticinei: essa merda vai demorar uns 20 anos para ser consertada.

Errei no prognóstico: quatro anos de Sarney, oito de Fernando Henrique Cardoso e mais oito de Lula só fizeram confirmar que cultura era lixo, palavrão, matéria-prima abjeta e de pouca serventia. No máximo, moeda de barganhas políticas. O Ministério de Cultura, como bem proclama o Ziraldo, não apresentou nenhuma política cultural nesses últimos 16 anos. A não ser, como é notório, acabar com o Projeto Pixinguinha e outros programas culturais desenvolvidos a partir da gestão Aloysio Magalhães.  

Lembro, e continuo lembrando, dos tempos da Rádio MEC quando lá a ditadura se instalou. A discoteca foi toda desmontada, o pessoal que ostentava idéias contrárias era sumariamente colocado no olho da rua. Inclusive eu, que movi ação contra emissora em plena ditadura militar, ação que tramitou durante 25 anos, findo os quais venci a questão.

Mesma situação viveria quando chegou Fernando Collor, e fui colocado em disponibilidade, mesmo estando em pleno exercício de minhas funções de produtor na TVE.

Quando leio a nota que vai abaixo, é natural que me sobrevenha uma onde de arrepios. É a reprise de um filme que já conheço.  Quando a TVE foi sucateada, para dar lugar à anódina TV Brasil, havia também a promessa de manutenção de seus recursos humanos.

Vamos lá, abrindo parênteses:

Novo presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, o economista João Sayad se reuniu ontem com cerca de 50 funcionários das produções da emissora. Sua intenção era acalmar ânimos, depois das notícias sobre as mudanças em curso na casa, com a extinção de programas e demissões de profissionais.
Sayad ouviu o que não queria. Dos produtores de Login, tomou uma lição. Eles reclamaram que ficaram sabendo que o programa será extinto por meio do jornal O Estado de S.Paulo, o que acharam uma falta de respeito. "Nunca vi uma coisa dessas", protestou um dos profissionais. Sayad teve de admitir que "falhou na comunicação".
Os produtores de Login também questionaram o fato de o programa ter sido extinto com apenas quatro meses de existência e sem nenhuma tentativa de mudança.
No encontro, o presidente da Cultura confirmou que vai "descontinuar alguns programas", aumentar a importação de conteúdo e reduzir o espaço da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo).
Uma educadora reagiu. Lembrou Sayad do passado glorioso das produções infantis da emissora. "Você pretende acabar com todos os prêmios que a TV Cultura já ganhou", disse ela.
Um momento foi especialmente constrangedor. "Você é um homem de planilha, um homem de máquina de calcular. Nós construímos sonhos. Entre o seu plano e as realizações desse senhor, nos ficamos com esse senhor", disse um funcionário, apontando para Fernando Faro, criador do prestigiado Ensaio. O funcionário foi aplaudido.” (FONTE: Blog do Daniel Castro)

Fico imaginando a dor e a tristeza de Mestre Fernando Faro, um dos ícones da televisão cultural-educativa, que com seu programa “Ensaio”, praticamente reconstituiu parte da memória musical brasileiro na área televisiva. Volto a 1964, e compareço a uma assembléia no auditório da Rádio Nacional, o cantor Black-Out aos prantos, se insurgindo contra aquela ignomínia.
Continuemos:

A Fundação Padre Anchieta divulgou nota oficial no início da tarde desta quarta-feira (4), posicionando-se em relação à notícia deste blog de que a TV Cultura irá passar nos próximos meses por um processo de reestruturação em que poderão ser extintos vários programas e demitidos até 1.400 dos cerca de 1.800 funcionários da emissora.
A nota oficial não nega as informações publicadas pelo blog. Não fala em demissões ou enxugamento da produção própria. Mas anuncia um processo renovação da TV Cultura, porque a emissora "perdeu audiência, qualidade e se tornou cara e ineficiente".
Leia a íntegra da nota:
"Em face às recentes notícias publicadas sobre a TV Cultura, informamos que:
A TV Cultura é patrimônio querido dos paulistas e brasileiros, com um acervo de ótimos programas e vários artistas e jornalistas de sucesso que começaram aqui, mas que precisa se renovar. Perdeu audiência, qualidade e se tornou cara e ineficiente.
Esta é a proposta de renovação que a Administração levará ao Conselho da Fundação Padre Anchieta: a revitalização dos programas admirados, a modernização dos processos administrativos, bem como dos equipamentos, e contando com os talentos que a emissora possui e com a contratação de novos apresentadores e jornalistas". (FONTE: Blog do Daniel Castro)

A conferir. E abrindo novo parênteses :

Ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad assumiu a presidência da TV Cultura em junho com a missão de reduzir a TV pública paulista a uma simples TV estatal. Com o aval do ex-governador José Serra e do atual governador, Alberto Goldman, Sayad pretende reduzir ao máximo a produção de programas e cortar o número de funcionários em quase 80%, dos atuais 1.800 para 400.
Sayad pensa até em vender o patrimônio da TV Cultura. Já encomendou aos advogados da emissora um estudo sobre a viabilidade de a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV, se desfazer de seus estúdios e edifícios na Água Branca, em São Paulo.
Em reuniões com diretores da emissora, Sayad tem dito que a Cultura não precisa ter mais do que 400 funcionários, que ficariam, segundo ele, muito bem instalados em um andar de um prédio comercial. A postura evidencia que a TV Cultura deixou de ser uma questão de política pública. Passou a ser um "pepino", um problema a ser eliminado pelo governo do Estado.
Fontes ouvidas pelo blog informam que Sayad vive dizendo que irá transformar a Cultura, hoje produtora de programas, em uma coprodutora. Ou seja, ela deixará de produzir programas de entretenimento. Passará a encomendá-los a produtoras independentes e a comprá-los no mercado internacional. Atrações como o Metrópolis podem estar em seus últimos dias.
O jornalismo da Cultura deixará de investir no noticiário do dia a dia, caro e mais bem produzido pelas redes comerciais. A partir de setembro, o Jornal da Cultura, com Maria Cristina Poli, passará a ser um jornal mais de debates, de discussão sobre o noticiário, do que de notícias.

Corte de receitas

A TV Cultura tem hoje um orçamento de cerca R$ 230 milhões. Desse total, R$ 50 milhões vêm da venda de espaço nos intervalos dos programas para anunciantes privados. Outros R$ 60 milhões são oriundos da prestação de serviços, como é chamada na emissora a produção de programas e vídeos para instituições como o Tribunal Superior Eleitoral, a Procuradoria da República, a TV Assembleia (do Estado de S.Paulo) e a TV Justiça.
Pois a gestão de Sayad já iniciou o desmonte dessas duas fontes de recursos. Até o ano que vem, a TV Cultura não terá mais nenhuma publicidade comercial em seus intervalos nem produzirá mais programação para órgãos públicos (a publicidade institucional, irrisória, será mantida). Dessa forma, reduzirá uma boa parte do seu número de funcionários.
Se o plano for executado, a TV Cultura sobreviverá apenas dos R$ 70 milhões que o governo do Estado aporta diretamente todos os anos, além de outros R$ 50 milhões que ela recebe pela produção de conteúdo para as secretarias estadual e municipal de Educação.
O plano de demissões de Sayad é mais complexo. Por causa das eleições de outubro, ele não pode demitir funcionários contratados em regime de CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) até dezembro. A Cultura tem entre 1.000 e 1.200 funcionários celetistas. Esses trabalhadores têm emprego garantido até janeiro. Depois, dependem da postura do novo governador do Estado. Para demitir funcionários celetistas, Sayad precisará do apoio do futuro governador, porque terá de contar com verbas extras para pagar as indenizações.
Já os profissionais contratados como pessoas jurídicas (os PJs, pessoas que têm microempresas) podem ser "demitidos" a qualquer momento. Eles seriam de 600 a 800. Os cortes devem ser feitos à medida que contratos de prestação de serviços, como o da TV Assembleia, forem vencendo e não renovados.
O blog tentou ouvir o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, sobre as mudanças que ele pretende implantar na TV Cultura. Na última segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa da emissora, pediu uma entrevista. Ontem à tarde, a TV Cultura informou que Sayad não falaria com o R7.
As informações aqui publicadas foram relatadas previamente à assessoria de imprensa da TV Cultura. Nada foi negado. (FONTE: Blog do Daniel Castro)

Concluindo: a cultura vive um de seus piores momentos. O Ministério que deveria propor políticas culturais, na verdade utiliza subterfúgios como, por exemplo, discutir uma nova Lei dos Direitos Autorais, justamente nos minutos finais do segundo tempo do jogo, ou seja, no final de um mandato ministerial que exatamente não primou por ações exemplares. Vide a crise na Funarte. A TVE, que recebeu polpudas verbas da Petrobras para recuperar seu acervo de fitas, recolocou nas prateleiras o material digitalizado, devolvendo-o ao anonimato.
A Cultura não circula. O mercado de trabalho não oferece muitas alternativas nem para os artistas e nem para o público. Não vemos nenhum candidato à Presidência pronunciar-se sobre matéria que, presumo, é para eles muito indigesta.
Cultura, nos últimos tempos, virou palavrão.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aldir Blanc e Jota Efegê: o milagre

No belo “Conversa sobre o tempo” (Ed. Agir), num bate-papo conduzido por Arthur Dapieve, os Mestres Luis Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura conversam sobre a morte, no capítulo final do livro. Sendo um neurótico compulsivo, claro que o assunto me conduziu a vôos delirantes, a mil devaneios, quase todos mórbidos. Mas costumo driblar esse assunto com algum bom humor. Explicito sempre aos meus interlocutores que sou uma lápide ambulante, e que estou apenas tecnicamente vivo. E mais: ao ler meus laudos médicos, nas entrelinhas descubro atestados de óbito, antevejo obituários, ouço a marcha fúnebre de Chopin, nunca sei se o médico falou em diagnóstico ou prognóstico e se realmente me perguntou, sem sutilezas, se já consultei as cartas do tarô para saber as novas mazelas que estão a caminho.

Faço esse prolegômeno em função de um longo telefonema de meu poeta Aldir Blanc, tão hipocondríaco quanto eu. Desfilei, para afrontá-lo, uma listagem de minhas enfermices (4 stents, câncer na mama, redução acelerada de meus poucos neurônios) e, finalmente, a doença chave: labirintite. Na disputa pelos piores resultados, desfilamos vertigens, surtos psicóticos, ameaças de desmaio – e confesso que perdi a parada quando Aldir me anunciou que, além do mais, alcançou um pique de 500 pontos (ou que nome técnico isso possa ter) em sua taxa de açúcar. Ou seja: sentiu-se também personagem do capítulo derradeiro do “Conversa sobre o tempo”, pois a foice da morte o Poeta a viu de perto, zunindo aos ouvidos. E que, por conta dessa altíssisma taxa de açúcar, viu-se ameaçado de quase cegueira. Ler? Nem pensar!, avisou o esculápio. Assistir aos jogos da Copa, vendo 44 jogadores disputando as 4 bolas, que tentasse. Tentou, e deu-se mal.

O desespero tomou conta do Poeta, ex psicanalista. E como o papo era entre dois amigos, sugeri que o assunto daria uma boa crônica – e ele me autorizou a relatar a experiência que narro agora. Há alguns anos, num texto muito bonito, o Aldir comentava um dos aspectos da minha personalidade um tanto mórbida, o de colecionar lembranças de meus amigos mortos: um vestido de Dalva de Oliveira (depois doado à Alaíde Costa), louças e faqueiro de Elizeth Cardoso adquiridos em leilão, e que hoje estão à mesa de Elenice e Helton Altman, além de uma gravata do Tom Jobim, diversas trapizongas herdadas de Jacob do Bandolim, um latifúndio de quinquilharias que, para não mais me alongar, acolhia também as famosas gravatinhas brabuletas de nosso amado cronista Jota Efegê, e um par de óculos do Mestre, que destinei, por direito, ao meu querido Aldir. Isso há muitos e muitos anos.

O cronista Jota Efegê, de óculos e gravata 'brabuleta',
bebendo no Zicartola, em 1963

Se houver mistifório, balela, landuá, aldrabife, pulha, relambóia no que em seguida vos conto, não me pespeguem o rótulo de loroteiro. E Aldir, ressalvo, seria incapaz de pregar mentirolas, contar vantagens, prestar falso testemunho.

– Cadê os óculos do Jota Efegê? – E Aldir, quando se destempera, sai de perto.

O brado ecoou pela casa, pelas vizinhanças, adentrou no bar de Dona Maria, rebimbou no gramado do Maracanã, alcançou todas as cercanias do bairro tijucano habitado pelo nosso poeta, colocando a família Blanc (aí incluído, presumo, seus netos) num alvoroço invulgar. Desconheço se o Mello Menezes foi convocado para a procura que se fez pelos gavetórios, escrivaninhas, estantes – porque tudo foi escarafunchado depois daquele brado de guerra.

O desfecho será breve. Encontrados os óculos (antigão, hastes pesadas, lentes poderosíssimas), deu-se o milagre: o que era breu, carvão, negrume total, fez-se alumiamento. E cá temos o Poeta de volta às leituras proibidas pelo médico, que até hoje não sabe explicar o que aconteceu.

Coisas de São Jota Efegê, revelando-se milagreiro em benefício de um de seus acólitos favoritos – que aliás, com Sivuca, compôs o “Rancho das Abelhas” em homenagem ao nosso santo velhinho, padroeiro da crônica carnavalesca do Rio de Janeiro, amigo e Mestre querido, que não me canso de louvar.

Sempre revolucionária

Vamos virar a ampulheta, retroceder uns 30 anos, e perceber que, na cozinha, existe uma certa algaravia. Um destampar de panelas misturado a exclamações de todos os tipos – e a pergunta habitual: hoje tem bolinho de jiló? Quem chega é a Divina Elizeth, sempre entrando pela cozinha para, gulosa, inspecionar as panelas. Para quem não conheceu a Divina e Enluarada pessoalmente, devo esclarecer que ela não é de ir a lugares enfumaçados e recendentes a bebida. Já trabalhou tanto ganhando a vida com sua voz privilegiada, que hoje é seletiva. Por exemplo, só sai de casa para ouvir uma Áurea Martins. E aí não economiza elogios, como se comprova em sua biografia escrita por Sergio Cabral, que inclui Áurea entre suas intérpretes preferidas.

Se estou falando de Elizeth é porque minha relação pessoal com a Divina era meio de irmão um pouco mais novo, dela chegar em casa e, perguntada como andava de amores, dizia em alto e bom som: “Não tenho nem quem me mande à merda!”. Mentira pura, engodo inútil que a figura linda, pernas e braços roliços, a elegância natural – fica difícil pensar na Divina encerrada num claustro.

Bia Paes Leme me pede um texto sobre Elizeth, para as comemorações do noventenário da Divina. Como negar alguma coisa à minha Divina Cléo (Cleonice Berardinelli) da música, que aos cinco anos, com outra sobrinha minha, Sheilla, foi assistir ao “Rosa de Ouro” no Teatro Jovem, levadas por mim. Talvez, quem sabe, tenha sentado ao lado de Elizeth, que não saía de lá.

Há pouco tempo o (Luiz Fernando) Veríssimo escreveu uma belíssima crônica intitulada “Revolucionários”, centrada nas figuras de Miles Davis e Elizeth. Miles era um revolucionário, que transitava por todas as vertentes modernas do jazz, surfando no bebop, inventando o cool jazz e trocando-o em seguida por outra invenção presumivelmente sua, o hard bop. Isso não o impediu de gravar um disco inesquecível, o “Porgy and Bess”, que teria uma outra versão maravilhosa com Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, e uma outra, se não me engano, com Ray Charles e Betty Carter. Mas, insatisfeito, ei-lo agora lançando o “Kind of Blue”, numa experiência que chamou de jazz modal. E aí, conclui Veríssimo, eis que Miles surge de túnicas coloridas, fundindo jazz com o rock. Mais radical, impossível.

Veríssimo, enfim, encontra similaridade entre Miles Davis e Elizeth Cardoso no quesito “Revolucionários”. Cita o célebre “Canção do amor demais” (1958), ela juntando Tom e Vinicius, e fazendo-se acompanhar pelo violão de João Gilberto, mas negando-se a se entrelaçar no modelo de canto minimalista com que ele tentara seduzi-la, sem sucesso. A bossa-nova, como a conhecemos, não começaria ali na interpretação de Elizeth – mas um tempo depois, quando João, enfim, conseguiu impor sua estética.

Elizeth Cardoso e Turíbio Santos, em 1960

Veríssimo cita não só esse disco mas também o “Elizeth sobe o morro”, que tive o privilégio de produzir para a Divina. A fantástica intérprete de Tom e Vinicius aparece agora com outro violão, cujas estranhezas logo fariam celebrizar seu executante: Nelson Cavaquinho. Colocá-lo acompanhando Elizeth, e cantando com ela, foi sim uma atitude que afrontava as regras ditadas pelo mercado. Porque tudo ali se contrapunha à estética joãogilbertiana: a voz rascante de Nelson, seu violão quase primitivo, de uma rudeza transcendental, tudo ali transpirava beleza. Lembraria ao Veríssimo outras atitudes revolucionárias de Elizeth: cantar a “Bachianas nº 5”, de Villa-Lobos, sob a regência de Diogo Pacheco (isso em 1964); deixar-se flutuar na “Melodia sentimental”, do mesmo Villa, num “Concertos para a Juventude”, acompanhada pelo violão erudito de Turíbio Santos; e se enredando também nas cordas de Baden Powell, ou interpretando um Cláudio Santoro para, em seguida, fazer dupla com quem?, Ciro Monteiro.

E como não citar o concerto no Teatro João Caetano, em 1968, ela ao lado de Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e Época de Ouro? E, igual a Miles Davis, também vestia por vezes as túnicas coloridas para ir gravar seus dois discos terminais, o “Ari amoroso” e o “Todo sentimento”, neste último acompanhada pelo 7 cordas de Rafael Rabello. No estúdio, algumas vezes, pedia um tempo para deitar-se e contorcer-se de dor com o câncer que a levaria logo depois, sem poder alcançar o lançamento daqueles dois trabalhos.

Se conto essas coisas, 20 anos após o desaparecimento de Elizeth e nos 90 anos que faria em julho de 2010, é para ampliar o conceito do grande Veríssimo, que se pergunta, ao final da crônica, “se Elizeth subiu o morro no mesmo espírito com que o Miles voltou ao hard bop”. Num programa de televisão, armei uma cilada para ela: “Tom Jobim ou Pixinguinha”. E a Divina, sem pestanejar: “ora, fico com os dois”. Subir ou não o morro, pisar o palco do Theatro Municipal, deixar-se levar pelo Brasil afora com o piano de Radamés e com a moderníssima Camerata Carioca, cantar “a capella” o “Serenata de adeus”, fazendo o público debulhar-se em lágrimas inestancáveis e ovacioná-la de pé – nada fazia diferença para Elizeth, desde que a qualidade, e os riscos a ela inerentes, estivesse presente.

Revolucionária sempre.

Lélia Coelho Frota

Em 1999, à frente do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, a antropóloga Lélia Coelho Frota me convidou para produzir artisticamente o primeiro de uma série de CDs que pretendia lançar sobre os sambas de terreiro das mais tradicionais escolas de samba – e a primeira escolhida fora a Mangueira. Um belo disco, que teve arranjos de Mestre Paulão 7 Cordas e assistência de produção de Kiko Horta, fantástico acordeonista. Uma vasta pesquisa de campo nos foi oferecida por nossa querida Lélia, cuja missa de trigésimo dia vejo anunciada nos jornais de hoje, 30 de junho de 2010.

Valeram-me os arquivos que deram origem a este saite. Neles tinha guardado gravações preciosas, registros feitos na minha casa ou nas de Cartola ou Carlos Cachaça – e até, se não me engano, na Birosca da Efigenia do Balbino, quando ainda podia se freqüentar, sem sustos, o Buraco Quente da Mangueira. A fita, talvez a mais preciosa do lote de registros, fora preservada por um amigo querido – o jornalista Arley Pereira.

Gravações caseiras, feitas no início da década de 60 – e o disco produzido pelo Arquivo Geral da Cidade é hoje um documento preciosíssimo para aqueles que quiserem entender a evolução do samba de terreiro até chegar às quadras das Escolas, quando praticamente se extinguiu.

Foi graças a esse registro que um samba de Padeirinho não caiu no total esquecimento: “Modificado”, regravado há pouco por Tantinho da Mangueira e também por meu parceiro Fernando Temporão.

À Lélia devo muitíssimo. Fomos companheiros de trabalho na antiga Funarte, onde desenvolveu um trabalho esplêndido na área do folclore. Mais recentemente, integramos o Conselho Estadual de Cultura, onde sua atuação era, no mínimo, brilhantíssima.

Nosso último encontro, em sua casa, há uns dois meses, teve a cultura como antepasto, almoço e sobremesa. E com um amável convite para um repeteco, que lastimavelmente não pôde acontecer.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Paulinho da Viola, Walter Wendhausen e Luiz Canabrava

As coisas estão no mundo
Só que eu preciso aprender
“Coisas do mundo, minha nega”

Lembro que, nas décadas de 40 e 50, aqui no Rio de Janeiro, era moda freqüentar a casa do escritor Aníbal Machado, pai da teatróloga Maria Clara (“Pluft, o fantasminha”) de igual sobrenome.

Me lembro, e muito muito vagamente, de ter passado por lá. Tertúlias, saraus, essas coisas andavam na moda. Algumas pecavam pelo excesso, com declamações que inevitavelmente desaguavam n’ “O Corvo” de Poe. Eu mesmo, encarapitado numa cadeira, dei os meus vexames iniciais num sarau promovido no bairro da Glória por um moço chamado Burlamarqui. Perdoemos aquele garoto de uns 5 anos, mas já afiado no “Periquitinho verde” do Nássara.

A formação intelectual de muita gente se deu assim, nesses convescotes nada convencionais. Cheguei a formar um duo viloão-violino com meu amigo Luiz Carlos de Castro, para entreter um bando de desocupados que passavam pelos salões da Baronesa. A Baronesa era um funcionário graduado do Itamaraty. Ali se tocava, ali se comia e bebia, dali a gente se escafedia na célebre “hora da valsa”. Prefiro não entrar em detalhes.

Walter Wendhausen, Paulinho da Viola e Luis Sérgio Bilheri Nogueira

Quem não ouviu falar do Sábadoyle? Mas ali era uma concentração de pensadores peso pesados, como Drummond de Andrade e Pedro Nava. Eram reuniões intelectualíssimas, como as que, até pouco tempo, nosso Oscar Niemayer promovia em seu apartamento para discutir filosofia, física quântica e coisas afins.

Em São Paulo, Mário de Andrade era o centro de atenções na célebre casa da rua Lopes Chaves – o endereço intelectual mais célebre na desvairada Paulicéia dos anos 30/40. O carteiro despejava toneladas de cartas por dia, e até hoje não sei como o poeta dava conta do recado.

Contam (“O leitor apaixonado”, de Ruy Castro) que era assim, também, na casa de Gertrude Stein em Paris. Lá você esbarrava em Hemingway, Picasso, Cézanne, Matisse, Hemingway, Ezra Pound, T.S. Elliot...

Os grupos iam nascendo e se informando desse jeito, se alimentando dos contatos riquíssimos como aqueles proporcionados à gente da bossa-nova. João Gilberto, dizem, ia pouco por lá. Mas quando ia, que festa! era um passando o violão pro outro, tentando copiar o acorde inventado pelo Mestre. Eu já era taludinho, naquela época, quando a bossa-nova abriu seu berreiro (seus sussurros, aliás). Falo do finzinho da década de 50, quando 99% das pessoas interessadas em música popular se apaixonaram por suas invenções. José Ramos Tinhorão escovava os dentes com cicuta, já nessa época, para esfolar Tom Jobim em seus raivosos comentários críticos.

Mas voltemos ao apartamento de Walter Wendhausen e Luiz Canabrava, ambos pintores vanguardistas, mas que exerciam seus ofícios ilustradores no departamento de publicidade do Magazine Mesbla (Mestre et Blaget?), com desenhos academicíssimos de fogões, lamparinas, serrotes e o que mais se possa imaginar. Ossos do ofício. Eneida, Leonardo Villar (bem antes, portanto, de estrelar o “O pagador de promessas”), Van Jafa, Lucio Cardoso e sua irmã, a também romancista Maria Helena Cardoso, Harry Laus, quem mais? Muita gente. Grana pouca, cada um levava sua birita, ou ia pendurar sua conta com o Fernando, ali próximo no Lamas (ainda no largo do Machado).

Vamos nos situar: o ano, 1951. O apartamento era na Dois de Dezembro, meio Catete, meio Flamengo. Rio de Janeiro, portanto. Milhares de discos de 78 rotações, e havia de tudo: Aracy de Almeida, Louis Armstrong, Piaf, Pixinguinha, Fats Waller. Ecletismo musical era ali mesmo. E bebia-se Drummond e embriagava-se com Manuel Bandeira (com a poesia deles, esclareço, que desconheciam nossas existências). Braque, Picasso, Chagall, Modigliani. “O Encouraçado Potenkin” (só iria ver o filme muitos anos depois), as vanguardas teatrais ensaiando seus passos, as vernissages concorridíssimas – nada nos faltava em termos de informação. Tallulah Bankhead ou Erich Von Ströheim, Marlene Dietrich ou as “expansions” de César. Tudo praticamente tridimensionado, porque imaginação é o que não nos faltava. A grana?, curtíssima. No Lamas e no Bar Recreio nos abastecíamos de cerveja ou gin tônica, e nos deliciávamos vendo a Divina Elizeth entrar na companhia de seu namorado Ewaldo Ruy e, pasmem!, Ary Barroso.

Todo esse preâmbulo é para contextualizar a época virtual em que vivemos, escravos da Internet, e onde tertúlias e saraus saíram de moda ou se realizam um pouco às escondidas.

Fui procurado por um jovem pesquisador, a quem foi encomendado um livro sobre Luiz Canabrava. Ora, direis, quem hoje ainda lembra de Canabrava e Wendhausen? Mas eu que os freqüentei, que com eles convivi, posso atestar: a casa dos dois equivalia a um centro cultural – e acho que Paulinho da Viola deve pensar a mesma coisa.

O artista plástico Luiz Canabrava (c.1960)

Porque nos conhecemos, primeiramente, nos célebres saraus de Jacob do Bandolim, naquela casarona em Jacarepaguá. Em que anos estamos? Possivelmente 1955/56. Ele, Paulinho, na companhia de seu pai, o violonista Benedito César Faria. E eu municiando aqueles saraus com as cordas mágicas de meus amigos Maria Luisa Anido, Oscar Cáceres, Nicanor Teixeira, Jodacil Damasceno e um então menino chamado Turíbio Santos.

Paulinho começava a escrever em sua história num bloco de Botafogo, eu morava no bairro da Glória, já pertinho da Taberna.

– Olá, como vai?
– Eu vou indo, e você?

E é claro que não foi bem assim. Ele trabalhava num balcão de um banco onde eu ia pagar contas, um olhou pra cara do outro – a gente já se conhece, né? – e nos conhecíamos sim das rodas de choro na casa de Jacob. Conhecíamo-nos “de vista”, como se diz comumente. A partir daí nos tornamos amigos e, acho eu, parceiros.

Parceiros também no convívio com Walter Wendhausen, que morava com Luiz Canabrava – ambos desenhando anúncios de dia, e nos fins de semana continuavam pintando, inclusive o sete. Porrancas federais.

Vamos, agora, nos mudar para Copacabana – década de 60, nova residência do Walter. Em frente, moravam Toninho e Liana Ventura. Mais tarde, mas muito mais tarde, a filha do casal, Lianinha, se casaria com Raphael Rabello (que viria a ser cunhado de Paulinho, que desposou Lila, que tem o poeta Paulinho Pinheiro como cunhado, casado que é com Luciana Rabello, a Magnífica). Mas não vamos desfolhar o calendário antes do tempo.

Avenida Nossa Senhora de Copacabana, perto da Duvivier, que apartamentão! Liana, filha do senador Dix-Huit Rosado, e Walter já morando num prédio que dava de cara com o do casal Ventura. Para estabelecer amizade eterna, com juras de amor ad infinitum, foi um pulo. “Marreco” era como Liana apelidou Walter. Não me perguntem pela foto em que aparecem Clara Nunes e Martinho da Vila numa daquelas feijoadas memoráveis promovidas pelo casal. Não saberia precisar a data.

Mas, e pontuando apenas essas lembranças: a casa dos Ventura era um território livre, mas não com as características da casa de Aníbal Machado ou da antiga residência de Walter. Alguns remanescentes, como Harry Laus e Eneida (sempre com um copo de uísque à mão) permaneceram. Grande Eneida que lavrou seu memorável epitáfio: “Essa mulher nunca topou chantagem”. Na época do golpe de 64, Wendhausen arrumava as trouxas e ia dormir na casa da escritora, temendo que ela fosse presa. Iria junto. E seriam inevitavelmente soltos. Ninguém iria agüentar e esbórnia que certamente promoveriam.

Fiquemos, pois, naquela década sessentina, Paulinho já amigo e admirador de Walter. Lembro do vaticínio de meu amigo:

– Paulinho vai ser um dos grandes.

O “Rosa de ouro”, de 1965, iria confirmar a previsão. O “Rosa” tinha assento vitalício para Wendhausen na platéia do Teatro Jovem.

Bem, retomemos o fio da história. O jovem candidato a pesquisador, encarregado de biografar Canabrava, descobre meu e-meio e me obriga a escavoucar territórios que julgava demolidos, execrados, expulsos de minha lembrança.

Claro, o assunto me interessa. Tenho, às pencas, quadros de Wendhausen e Canabrava – e lembranças vivíssimas daquela época, para mim, de ouro. Imagine, em 51, saindo das calças curtas e descobrindo sua sexualidade, e aluno da vizinha Escola Amaro Cavalcanti (onde mais tarde Paulinho também estudaria) me descobrir habitando o mesmo Olimpo de pessoas que só conhecia à distância. Pois tive que fazer um processo de regressão, pra responder ao questionário que me foi enviado: onde, quando, como conheci Canabrava.

Nesse troca-troca de e-meios, meu jovem interpelante vai catando as pistas que lhe dou, vasculha nosso saite, encontra fotos de Canabrava, escarafuncha escaninhos empoeirados – e se deslumbra com o fato de Paulinho da Viola ter se inspirado no livro “Por onde andou meu coração” para compor o “Foi um rio que passou em minha vida”, numa época em que embaralhei sua vida artística com um samba-exaltação, e qual?, “Sei lá, Mangueira”. Ele portelense, eu um verde-e-rosa arrastando-o pra um samba em homenagem à escola oponente. E onde conheceu Maria Helena Cardoso, Elena, irmã de Lúcio, autora do livro? Na casa de Walter e Canabrava, suponho eu. (O jovem é também biógrafo de Lelena e desconhecia esse fato).

Todos nós somos, um pouco, frutos de uma época que, igual à de Aníbal Machado ou Gertrude Stein, os poetas músicos pintores se alimentavam de pensamentos, desovando em matéria-prima rara aquilo que nossos sábios mentores, sem saberem-se mestres, nos ditavam.

Forneço esse resumo porque, cada vez mais, me sinto fazendo uma viagem regressiva ao apartamentinho de Wendhausen e Canabrava, que tanto e tanto me ensinaram.

Quando vejo a meninada da Escola Portátil de Música, e as experiências relatadas por eles e seus Mestres Oficineiros, percebo que cada um teve fomentada suas vocações pos wendhausens e canabravas. E, independentemente das obras artísticas que nos legaram, advertiram-nos o quanto é preciso aguçar a arte de prestar atenção.

Meu jovem pesquisador, aspirante a biógrafo de Canabrava, me fez encontrar na Internet essa pérola: “Como diria o artista Walter Wendhausen, o mundo está aí, com tudo que tem de belo, para ser visto – basta saber olhar”.

Paulinho da Viola, com sua percepção aguda e um verso extraordinário, talvez nem tenha lido essa declaração de Wendhausen – mas que estava na essência de nossa relação com aquele artista. Aliás, com aquele grupo de artistas.

Afinal, as coisas estão no mundo – bastando-nos apenas apurar a arte do apercebimento.

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NOSSO SAITE
Esta crônica nasceu na necessidade de confessar o que se segue: o nosso saite, eu o queria com esse perfil informador. Ao estabelecer contato com esse jovem biógrafo de Canabrava, pude atestar a qualidade dos serviços até aqui prestados. Nenhum mérito meu, diga-se de passagem. Costumo me autorrotular uma anta cibernética, de tal forma me atrapalho com o manuseio do teclado do computador. Portanto, a permanência do nosso saite, e uma mudança de seu perfil, é coisa que levará algum tempo. Mas aproveito para abraçar meus companheiros, citados todos eles nos créditos, que construíram (e continuarão construindo) esse portal, com o perfil cada vez mais acentuado de um prestador de serviços – como acaba de provar o jovem pesquisador que me fez viajar em torno de um grande artista plástico, Luiz Canabrava, cuja memória quase se viu reduzida a cinzas.

Quase porque muitas obras suas, e de Wendhausen, estão em coleções particulares. As capas que Canabrava fez para os Lps “Muito Elizeth” e “É tempo de amor” (Dalva de Oliveira), todas debruçadas no abstracionismo, são antológicas, assim como aquela construída por Wendhausen para o “Elizeth sobe o morro”. Capas de livros? Inúmeras. Durante algum tempo Canabrava ilustrou os livros de Dinah Silveira de Queiroz, enquanto Wendhausen exercia essa mesma arte como capista de livros e discos meus. Até o cardápio do Zicartola tem a colaboração gráfica de Walter, assim como Luiz foi além – revelando-se como excelente contista. Ambos, aliás, elaboravam textos deliciosos – e Wendhausen chegou a aventurar-se na área de crítica de música. E todos nós, claro! frequentávamos os Bailes do Pierrot, idealizados por Eneida.

terça-feira, 23 de março de 2010

HBC no programa de Rolando Boldrin


Áurea Martins e HBC no palco do "Sr.Brasil"

Nesta terça-feira (23/03/10), o programa “Sr. Brasil”, apresentado por Rolando Boldrin, vai comemorar os 75 anos de Hermínio Bello de Carvalho. O “Timoneiro da Música Brasileira” vai relembrar grandes sucessos da carreira, compostos ao lado de mestres como Jacob do Bandolim e Dona Ivone Lara. Estão no repertório “Mudando de Conversa”, “Doce de Coco”, “Estrada do Sertão” e “Mas Quem Disse que eu Te Esqueço”. Timoneiro é o título de uma das canções mais conhecidas do artista, composta ao lado de Paulinho da Viola, e também dá nome à caixa que reúne cinco CDs com obras escritas por Hermínio Bello de Carvalho e parceiros, lançada em comemoração aos 70 anos do compositor.

O programa "Sr. Brasil" vai ao ar às 22h, na TV Cultura.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Especial sobre Hermínio Bello de Carvalho na TV Cultura, sábado 20/02/2010


Veteranos e contemporâneos da música brasileira, como Alaíde Costa, Zélia Duncan e Zé Renato entoam homenagem ao artista carioca que já produziu trabalhos de Dalva de Oliveira e Elizeth Cardoso

Pedra fundamental na carreira de renomados artistas brasileiros, Hermínio Bello de Carvalho ganha da TV Cultura um especial em sua homenagem. A partir das 23h30 deste sábado (20/2), a emissora põe no ar Timoneiro, musical gravado no teatro do Sesc Pompeia em 2005, ano em que o poeta, compositor e produtor completou 70 anos de vida.

O programa conta com as participações de Áurea Martins, Zé Renato, Zezé Gonzaga, Simone, Alaíde Costa, Vital Lima e Zélia Duncan.

No repertório, além de sambas há outras canções de Hermínio, como Timoneiro, uma parceria com Paulinho da Viola, Mas Quem Disse que Eu te Esqueço, lapidada ao lado de Dona Ivone Lara e Estrada do Sertão, composta com João Pernambuco.

Hermínio Bello de Carvalho nasceu em 1935, na cidade do Rio de Janeiro. Neto de violeiro e filho de ator, morava no bairro da Glória quando começou a frequentar reuniões na casa do músico Burle Marx, onde conheceria, posteriormente, Claudete Soares e Helena de Lima. Adolescente, gostava muito de musica clássica. Aos 14 anos, cantava em coro de igreja e, em 1958, período em que o Brasil conheceu a Bossa Nova, começou sua carreira na Rádio MEC, do Rio de Janeiro.

De lá pra cá, Hermínio acumulou trabalhos como compositor, intérprete, produtor, poeta e até como pesquisador. Verdadeiro perito da música popular brasileira, alimenta uma abrilhantada lista de amigos e parceiros. Entre eles, Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Elza Soares, Clementina de Jesus, Turíbio Santos e Maurício Tapajós.

(Informações extraídas do site da TV Cultura)